por Carlos Monteiro__
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Foto: Carlos Monteiro |
Musas; quem são essas
figuras mitológicas e encantadoras? O nome vem do grego “mousa” – poema. Habitavam
o templo de “Museion”, que deu origem à palavra ‘museu’, local onde se
incentiva e preserva arte e ciência. Tinham a capacidade de inspirar a criação em
sua essência. Filhas de Mnemósine -
"Memória" e Zeus o pai dos deuses.
Eram nove: Calíope -
deusa da Eloquência. Casou-se com Eagro, de quem teve Orfeu, o célebre cantor
da Trácia. Clio deusa da História, Erato deusa da poesia lírica, Euterpe deusa
da música, Melpômene deusa da tragédia, Polímnia deusa da música sacra, Tália
deusa da comédia, Terpsícore deusa da dança e Urânia deusa da Astronomia.
Ao se concentrar para
escrever, seja nos papiros de outrora ou nos notebooks atuais, o autor traça, em
seu imaginário, uma viagem perfeita entre letras, linhas, parágrafos, estrofes,
versos em prosa. Compõe suas lembranças e narrativas inspirado em sua musa. Algumas
secretas, outras nem tanto. Algumas absolutamente declaradas. Algumas tangíveis
outras platônicas, mas, sempre a mais cristalina fonte de inspiração.
Vininha, nosso “Poetinha
Maior”, teve várias: Helô Pinheiro, Tati, Regina Pederneiras, Lila Bôscoli Maria
Lúcia Proença, para quem escreveu “Para viver um grande amor”, Nelita, Cristina
Gurjão, Gesse Gessy, Marta Ibañez, mas, com toda certeza, a mais marcante, sua
eterna musa foi Gilda Mattoso. Pessoa encantadora de humor incrível. “There never was a woman like Gilda”.
Quem foi Lígia, que
tanto deixou Tom ir do semitom ao tom maior, que fez do poeta, eterno
antagônico em música que a homenageia? Quem terá sido? Especulações não faltam
que seria Lygia Marina ex-mulher de
Fernando Sabino. Ou “Luíza”? Composta para uma novela “Brilhante”, terá sido
mesmo a beleza exuberante de Vera Fischer sua inspiração?
Drummond tinha a Cidade
Maravilhosa como sua inspiradora razão de escrever. Rendeu poemas lindos: “Rio
em Flor de Janeiro”. “A gente passa, a gente olha, a gente para/e se extasia./Que
aconteceu com esta cidade/da noite para o dia?/O Rio de Janeiro virou flor...”.
Nesta cidade do Rio/De dois milhões de habitantes/Estou sozinho no quarto/Estou
sozinho na América.../... Precisava de mulher/Que entrasse nesse
minuto,/Recebesse esse carinho/Salvasse do aniquilamento/Um minuto e um carinho
loucos/Que tenho para oferecer...” - A Bruxa.
Pablo Milanés, compôs "Yolanda"
tomado por elã para sua companheira, Yolanda Benet. No dia do nascimento da
filha lynn, não pode estar presente. Viajara para um show. Trouxe na bagagem,
dez dias depois, uma obra-prima, a pureza de uma ode ao amor sublime: “Esto no
puede ser no más que una canción;/quisiera fuera una declaración de
amor,/romántica, sin reparar en formas tales/que pongan freno a lo que siento
ahora a raudales./Te amo,/te amo,/eternamente, te amo(...) Yolanda”. Yolanda,
sua mais pura tradução para egéria.
E Chico, que cantou e encanta tantas
mulheres; quem serão suas musas? Thaís Gulin, para quem dedicou, não uma
música, mas, um disco inteiro com “Essa Pequena”? Zuzu Angel para quem criou
“Angélica” ou para a “Morena, dos olhos d’água, tira os seus olhos do mar./Vem
ver que a vida ainda vale, o sorriso que eu tenho”? Seria, a psicanalista,
Eleonora Mendes Caldeira a “Morena, dos olhos d’água” foi gravada em 1967.
Mas, quem serão Rita, Teresinha,
Cecília, Carolina, Nina, Bia, Januária, Maria, Joana, Rosa, Iracema, Bárbara,
Ana... Quem será esta linda Ana que tanto encantou o poeta?
O poema de Evan do Carmo ‘vê,’ assim,
aquela que nos seduz em acalantos em estro: “...O poeta é quem sonha, quem
delira/quem canta ao desconhecido enigma/que incredulamente e inconstante/lhe
obriga a escrever o que não poderia.”
Fantástico foi o dia em que, num
momento sublime, a musa se descobre inspiração para o velho poeta. Musa é teu
nome; escrevo!
Todo poeta tem sua musa inspiradora, Fotocrônica de Carlos Monteiro